O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, inscreveu-se para discursar em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) marcada para 6 de julho, dedicada ao aumento de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. No pedido formal, ele requereu cinco minutos para expor propostas que incluem a suspensão imediata da medida e a criação de um mecanismo bilateral de negociação com cronograma definido.
Nas redes, Flávio acusou o presidente Lula de omissão — afirmando que o governo “não move uma palha” para proteger empresas nacionais — e citou ter ido à Casa Branca para tratar do tema com Donald Trump. Ao propor supervisão que preserve o “poder norte-americano” enquanto se busca uma solução negociada, o senador combina reivindicação comercial com um gesto político externo, que visa visibilidade junto ao empresariado e ao eleitorado conservador.
O movimento acende alerta no tabuleiro político: trata-se de uma tentativa explícita de internacionalizar uma disputa doméstica e de se posicionar como defensor direto dos interesses empresariais frente ao executivo. Para o governo, a iniciativa complica a narrativa oficial sobre gestão da crise comercial e pode ser usada pela oposição para amplificar desgaste e criar pressão por respostas mais efetivas.
Além do efeito político interno, a iniciativa sinaliza uma aposta estratégica do grupo bolsonarista em aliar-se a atores internacionais alinhados ideologicamente — uma pista sobre como a campanha pode explorar relações externas. Resta ver se o discurso em Washington terá impacto prático nas negociações trilaterais ou se resultará sobretudo em exposição midiática e pressão política doméstica.