O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou neste sábado um vídeo em que convoca a população a ir aos supermercados, fotografar preços de itens como arroz, feijão, carne e café, guardar notas fiscais e publicar o material nas redes sociais marcando seu perfil. Na publicação que acompanha a gravação, ele afirma: “VÁ AO MERCADO BRASIL TÁ TUDO CARO! LULA QUEBROU O BRASIL”. No fim do vídeo, repetiu a chamada eleitoral e pediu votos para o número 22.
A iniciativa tem objetivo político claro: transformar reclamações domésticas sobre o custo de vida em conteúdo compartilhável e em evidência direta contra o governo. Ao pedir que os registros sejam marcados em seu perfil, a campanha busca multiplicar provas visuais que alimentem a narrativa de que a inflação e o preço dos alimentos são responsabilidade da gestão atual. É uma tática de mobilização atrelada à agenda econômica da campanha.
O movimento pode, porém, ter limitações técnicas e eleitorais. Registros voluntários tendem a sofrer de viés de seleção e de amostragem — usuários mais engajados e simpatizantes podem produzir um quadro distorcido da realidade de preços em todo o país. Ainda assim, o volume e a circulação dessas imagens podem amplificar a percepção pública de crise no bolso do eleitor e ampliar desgaste sobre a pauta econômica do governo, forçando reação oficial.
Para o ambiente político, a ação complica a narrativa governista ao transformar compras corriqueiras em prova política e pressiona adversários a responderem com dados ou explicações sobre tributação e política de preços. Para a oposição, a coleta de imagens é um recurso de campanha que visa converter insatisfação econômica em intenção de voto — e testa a capacidade do governo de rebater com números, contextualização e medidas concretas.