O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família desembarcaram em Miami pouco antes das 10h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (28), após voo de cerca de quatro horas, segundo o site de monitoramento FlightAware. A viagem incluiu travessia da fronteira argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50 de terça-feira e escala em Guayaquil, no Equador, conforme registros da Direção Nacional de Migrações da Argentina.

A saída do país ocorre 48 horas depois da sua derrota no segundo turno da eleição presidencial e em meio a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de inquérito que o investiga por lavagem de dinheiro. O senador e o advogado Willer Tomaz negam irregularidades. Fontes — incluindo um aliado e um interlocutor do governo dos EUA ouvidos pela Reuters — já haviam informado sobre a viagem para o exterior.

O episódio expõe contradições na narrativa pública de Flávio: em vídeo divulgado após intimação judicial ele afirmou que permaneceria no Brasil para organizar a oposição, e na véspera seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, sugeriu que ele poderia liderar a oposição do exterior caso perdesse a eleição. A saída imediata amplia o desgaste político e levanta dúvidas sobre a capacidade de cumprimento de medidas judiciais e sobre a estratégia da família Bolsonaro para os próximos meses.

Politicamente, a partida tende a gerar reação de adversários e pressão adicional sobre aliados do PL, que terão de equacionar defesa jurídica e narrativa pública. Judicialmente, o desrespeito ao prazo para entrega dos passaportes — relatado por autoridades e pela imprensa — pode acionar novas medidas do Judiciário. Trata-se de um movimento que complica a tentativa declarada por Flávio de liderar uma oposição organizada a partir do país e ao mesmo tempo aumenta a atenção sobre eventuais desdobramentos legais.