O candidato do PL Flávio Bolsonaro anunciou em São Paulo a intenção de revogar mais de mil atos normativos federais como forma de reduzir a burocracia e “destravar” investimentos. No discurso para lideranças do comércio, indústria e agronegócio, ele posicionou a proposta como peça central de um programa que, segundo ele, aliviará custos para quem empreende e recuperará a confiança do setor produtivo.
Flávio acusou a atual gestão de impor carga tributária elevada e de estimular informalidade e sonegação ao “massacrar” investidores com regras que, na visão dele, viraram entraves e deram margem a fiscalizações abusivas. O candidato também ligou sua ida ao segundo turno a um efeito positivo no mercado, citando redução na taxa de juros futuros e alocação de recursos — afirmações que tratou como sinal de confiança do setor financeiro.
A promessa, porém, esbarra em limitações práticas e institucionais. Revogar mais de mil normas federais envolve mapeamento detalhado, coordenação entre ministérios e, em muitos casos, alteração de leis ou medidas que dependem do Congresso e do Judiciário. Além disso, a redução de obrigações regulatórias costuma ter custo fiscal e cria debates sobre como preservar padrões de segurança, meio ambiente e direitos trabalhistas sem reconstituir riscos para a economia.
Politicamente, a proposta mira diretamente empresários e eleitores preocupados com intervenção estatal e carga tributária, e pode reforçar a narrativa de que um governo mais liberal em economia facilita investimentos. Resta saber se a promessa será transformada em um plano técnico-realizável ou ficará no campo simbólico da campanha — com impacto limitado sobre a governabilidade e a arrecadação caso avanços estruturais dependam de articulação legislativa e judicial.