Em vídeo publicado nas redes sociais em 2 de junho, o pré-candidato pelo PL, Flávio Bolsonaro, colocou em primeiro plano duas frentes de ataque à gestão federal: segurança pública e relações comerciais com os Estados Unidos. Sem ainda ocupar o cargo, o senador afirmou que suas ações em poucos dias como pré-candidato teriam superado os resultados do presidente Lula em 20 anos e anunciou iniciativa para integrar o Brasil a uma coalizão regional contra facções criminosas citando PCC e Comando Vermelho, grupos que, segundo ele, foram classificados como terroristas pelo governo americano.
A declaração que acusa o chefe do Executivo de ter ido até Donald Trump para “fazer lobby a favor do PCC e CV” marca uma escalada retórica que visa construir contraste entre as duas narrativas: de um lado, a de quem promete ação dura e imediata contra o crime organizado; de outro, a do governo, exposto por Flávio como tolerante ou conivente. Politicamente, a frase tem efeitos claros: alimenta a polarização, busca cristalizar o eleitor conservador em torno da promessa de ordem e tenta desgastar a imagem do adversário com uma acusação grave — ainda que a afirmação dependa de comprovação fora do vídeo.
No campo econômico-diplomático, Flávio disse ter pedido aos EUA que evitassem novas tarifas sobre empresas brasileiras e citou a Seção 301, mecanismo que analisa barreiras comerciais e que, segundo ele, foi acionado em 2025. Ao prometer negociar “de igual para igual” com Washington a partir de 2027, o pré-candidato tenta somar credenciais de gestor e interlocutor internacional. Essa agenda mistura política externa com pauta doméstica de redução de custos para empresas, mas passa pela necessidade de demonstrar resultados concretos — pedidos e intenções precisam se traduzir em acordos e em resposta das autoridades americanas para terem efeito político real.
O discurso de Flávio funciona, portanto, em dupla dimensão eleitoral e institucional: procura aumentar a percepção de fragilidade do governo e simultaneamente projetar liderança e prontidão para 2026. A estratégia pode ampliar desgaste sobre o Palácio do Planalto se a oposição conseguir transformar as acusações em pressão midiática e parlamentar; por outro lado, depende de verificação de fatos e de respostas dos alvos das críticas. Para o eleitor, resta avaliar se as promessas de coalizão regional e as negociações com os EUA representam propostas viáveis ou retórica de campanha — um tema que tende a ganhar espaço no debate público nas próximas semanas.