Em entrevista à TV Globo na noite de sexta-feira (16/10), o senador Flávio Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito presidente, não tentará reverter a decisão do Congresso que põe fim à escala de trabalho conhecida como 6x1. O candidato do PL disse que respeitará o resultado legislativo e assegurou que os direitos dos trabalhadores serão mantidos, apresentando a posição como fruto do diálogo com cidadãos durante viagens pelo país.
A mudança de postura — ocorrida às vésperas da votação — tem um efeito político imediato: sinaliza aos mercados e a setores moderados que a candidatura buscará reduzir atritos com a agenda trabalhista aprovada pelo Parlamento. Ao mesmo tempo, a volta atrás expõe o risco de desgaste por incoerência. Flávio chegou a qualificar antes a proposta como manobra eleitoreira, e o recuo, após dizer ter ouvido apoio de trabalhadores nas ruas, pode alimentar críticas sobre oportunismo e sobre a capacidade do PL de manter uma linha clara de propostas.
No plano das políticas públicas, o senador combinou o apoio ao fim da escala com propostas de maior flexibilidade na organização das jornadas, citando situações como a de mães solo que conciliam emprego e cuidados. Prometeu também ampliar a oferta de creches e criar vouchers para custear vagas privadas quando não houver atendimento público. Flávio argumentou que, além de ajustar as regras de jornada, será necessário recuperar o poder de compra e reforçar segurança — uma tentativa de colocar a alteração laboral dentro de um pacote mais amplo de prioridades eleitorais.
Ao ser questionado sobre iniciativa de aliados para retomar propostas do PL que previam remuneração e benefícios proporcionais ao tempo trabalhado, o senador descartou qualquer tentativa pessoal de reverter a nova regra. A posição limita espaço para projetos partidários que buscassem alternativas, mas não elimina debates sobre compensações práticas aos trabalhadores afetados. Em resumo: o recuo tende a reduzir riscos imediatos de conflito institucional e a dar alguma tranquilidade ao mercado, mas deixa em aberto a conta política e técnica sobre como conciliar flexibilidade, proteção social e credibilidade da candidatura.