Em um gesto de consolidação política, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) recebeu em Brasília um grupo de 14 governadores eleitos em primeiro turno, vindos de siglas como PL, Republicanos, PP e MDB. A presença massiva de chefes de executivo estaduais sinaliza um fortalecimento regional da candidatura e reduz o espaço para narrativas de isolamento do PL no tabuleiro nacional.
O encontro ganhou contornos contraditórios com a participação de Sergio Moro (PL-PR), que foi ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro e deixou o cargo após alegar interferências na Polícia Federal atribuídas ao presidente na época. A proximidade entre Moro e Flávio ilustra a recomposição pragmática de forças políticas, mas também levanta dúvidas sobre coesão e confiança interna, tema sensível para uma campanha que promete governabilidade e combate à corrupção.
No mesmo dia, o escritor e candidato ao Planalto Augusto Cury, terceiro colocado no primeiro turno com 2,89% dos votos válidos, formalizou apoio a Flávio mediante a assinatura de uma carta de compromissos. Entre as propostas exigidas por Cury estão fim da reeleição presidencial, medidas para alternância de poder, pacificação nacional, proteção às mulheres, valorização dos professores e linhas de financiamento “de milhões” para microempreendedores. São cláusulas que ampliam a agenda da coligação, mas podem gerar exigências políticas relevantes na eventual formação de governo.
Na noite, Flávio fez uma transmissão ao vivo nos moldes das lives do ex-presidente e procurou neutralizar temores sociais: negou intenção de acabar com o Bolsa Família e prometeu reajustes de aposentadorias acima da inflação. As promessas vagam entre sinalização eleitoral e compromisso de política pública; faltam, por ora, detalhes sobre fonte de recursos e impacto fiscal. Politicamente, o ato em Brasília amplia a base de apoio e acende alerta para adversários, mas também expõe contradições e potenciais custos de articulação entre aliados com agendas distintas.