O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, foi ao Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira para um encontro com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A visita, pedida antes de a corte suspender os efeitos da chamada Lei da Dosimetria para condenados por tentativa de golpe, teve tom conciliatório na saída: o parlamentar definiu Fachin como equilibrado e afirmou desejar manter a harmonia entre os Poderes, evitando transformar a agenda judicial em confronto direto durante a campanha.
Ao mesmo tempo, porém, Flávio fez críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes pela decisão que suspendeu, até julgamento em plenário, os efeitos da norma aprovada pelo Congresso e com veto derrubado. O senador reclamou que Moraes agiu isoladamente ao paralisar a aplicação da lei e disse entender que houve excesso por parte do relator, classificando a medida como um descompasso com o processo legislativo.
A combinação de elogios e queixas expõe uma estratégia política: ao valorizar a postura de Fachin, Flávio procura sinalizar respeito institucional; ao atingir Moraes, ele atende a um discurso de defesa do Legislativo e da rigidez punitiva que tem apelo entre parte de seu eleitorado. Jornalisticamente, o episódio reacende o debate sobre o alcance de decisões monocráticas do STF em matérias que afetam diretamente atos do Congresso e sobre o espaço político que tais intervenções podem abrir durante a corrida para 2026.
Do ponto de vista institucional, a mudança segue para julgamento em plenário, mantendo a definição em aberto. Politicamente, a postura do senador tende a alimentar a polarização em torno do Judiciário e a pressionar por uma narrativa que coloque o Legislativo como titular de decisões sobre penas e dosimetrias — um tema que promete repercutir e ser explorado nas próximas etapas da campanha.