Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno com 48,21% dos votos válidos ante 51,79% do vencedor, Flávio Bolsonaro deixa a carreira eletiva que vinha construindo desde 2002. Ao optar por concorrer à Presidência, ele abriu mão da tentativa de renovação do mandato no Senado e verá, a partir de janeiro de 2027, o fim de uma sequência de cinco mandatos consecutivos — quatro na Assembleia Legislativa do Rio e um no Congresso.

A perda do assento parlamentar tem efeito prático imediato além do simbolismo político: o foro privilegiado do senador permanecerá em vigor até o final do mandato, em 2027, quando a competência para investigá‑lo e processá‑lo voltará à primeira instância. Essa mudança reabre cenários processuais já conhecidos, porque Flávio responde hoje a dois inquéritos no STF e há um pedido de abertura de investigação aguardando apreciação na Corte.

Há ainda a particularidade jurídica trazida por decisões recentes do Supremo: conforme entendimento firmado em 2025, é possível que crimes atribuídos ao exercício do mandato continuem a tramitar no STF mesmo após o fim do cargo, dependendo da natureza e do momento dos fatos apurados. Na prática, isso pode manter parte dos procedimentos sob tutela da Corte, ao mesmo tempo em que outros casos migram para juízes de primeira instância — um quadro que complica a estratégia de defesa e influência política do grupo Bolsonaro.

Politicamente, a derrota representa um recuo que acende alerta para o PL e para a própria família Bolsonaro. Interrompida a trajetória contínua de 24 anos no Executivo e no Legislativo, Flávio perde não só a visibilidade institucional como também a proteção formal que a condição de senador oferece. A ausência de cargo eletivo altera sua capacidade de articulação, reduzando influência sobre alianças e recursos, e força uma redefinição do plano político pessoal e do partido diante do desgaste evidenciado nas urnas.