Em entrevista ao podcast SantoFlow nesta segunda-feira, o candidato Flávio Bolsonaro acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar o Supremo Tribunal Federal em um instrumento de intervenção eleitoral. Ele afirmou que magistrados próximos ao petista estariam adotando decisões monocráticas e questionou a imparcialidade de nomes citados publicamente por ele.

Flávio defendeu mudanças no Judiciário como remédio para recuperar a credibilidade da Corte e disse que a saída de ministros indicados durante o governo Lula permitiria que o Supremo 'vivesse'. Na mesma linha, anunciou a intenção de nomear quatro magistrados ao longo de um eventual mandato, escolhendo homens e mulheres que, segundo ele, respeitem a Constituição e sejam contrários ao aborto e às políticas favoráveis às drogas.

Na estratégia eleitoral, o candidato voltou a recomendar o voto útil e pediu que eleitores que cogitam deixá‑lo para um segundo turno antecipem o apoio já no primeiro. Ele também voltou a relacionar o governo à expansão das 'bets' e criticou medidas de reestruturação de dívidas — posicionamentos que reforçam a tônica de campanha contra a gestão Lula.

O discurso tem implicações políticas e institucionais claras: além de ser um apelo direto ao eleitorado conservador, as declarações ampliam a pressão sobre o Judiciário e sinalizam uma tentativa de politização das nomeações. Para a oposição, a aposta no voto útil indica uma estratégia agressiva de curto prazo; para o país, levanta dúvidas sobre o peso que indicações e disputas judiciais podem ter na estabilidade pós-eleitoral.