Marcello Lopes anunciou nesta quarta-feira (20/05) que deixa a chefia da comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A saída ocorre no rastro da divulgação de áudios que revelaram conversas entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre a captação de recursos para o filme Dark Horse. De acordo com apurações, o publicitário retornará aos Estados Unidos e disse que irá priorizar seus negócios e agenda familiar.

A campanha já nomeou o publicitário Eduardo Fischer para assumir a área de marketing, numa tentativa explícita de recompor a estratégia e reduzir os danos. Mas a substituição não apaga os efeitos políticos: o episódio ampliou fraturas internas no PL, levou a bancada a marcar reunião para avaliar os desdobramentos e colocou aliados em estado de alerta. A participação do deputado Mário Frias na produção do longa e uma investigação preliminar no STF sobre repasses a uma entidade ligada à produtora adicionaram combustível à crise.

O movimento indica esforço por controle de narrativa, mas também expõe a vulnerabilidade da pré-campanha. Além do desgaste imediato, a controvérsia gera perguntas sobre transparência de recursos e sobre o grau de proximidade entre líderes do partido e empresários envolvidos. Fontes do entorno avaliam que Flávio terá de apresentar explicações detalhadas se quiser recompor a confiança tanto do eleitorado quanto da própria base parlamentar.

Na prática, a troca de comando na comunicação dá início a uma operação de contenção: revisão de materiais, ajuste de agendas e tentativa de restabelecer linhas de defesa políticas. Resta ver se a mudança burocrática será suficiente para frear a perda de credibilidade que o caso já provocou ou se o episódio deixará efeitos duradouros na imagem do pré-candidato e no ambiente eleitoral do PL.