O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de liminar para suspender a divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg — registrada sob o número BR-06939/2026 — que mostrou queda relevante em suas intenções de voto após a repercussão de áudios envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A ação, protocolada nesta terça-feira, também solicita apuração de eventual crime eleitoral diante, segundo a defesa, do modo como o levantamento teria sido conduzido.

Os advogados do PL alegam que elementos do desenho metodológico teriam induzido respostas: destacam a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e, sobretudo, a associação explícita entre o pré-candidato, o banqueiro e a instituição financeira como fator que teria contaminado a percepção do entrevistado. Na petição, a equipe jurídica qualifica o episódio como um possível “precedente manipulativo grave” e pede que o TSE examine com urgência a integridade do trabalho do instituto.

Do outro lado, a AtlasIntel rebate ao afirmar que o áudio não influenciou os cenários eleitorais, porque, segundo o órgão, a gravação é reproduzida apenas após a aplicação do questionário — procedimento que, na visão do instituto, permite mensurar em tempo real o efeito do conteúdo sobre a percepção do eleitor. A pesquisa aponta que, no primeiro turno, Flávio teria 34,3% contra 47% de Lula; no segundo turno, Lula venceria por 48,9% a 41,8%, uma perda de 6 pontos do candidato do PL em relação ao levantamento anterior. Ainda segundo o levantamento, 51,7% dos entrevistados já tinham conhecimento dos áudios e acreditavam no envolvimento do senador.

A disputa joga luz sobre dois vetores políticos imediatos. Para a campanha de Flávio, a operação judicial busca limitar um efeito eleitoral adverso e questionar a transparência do instrumento que expôs essa perda de apoio. Para o mercado político e para o Judiciário, a decisão do TSE terá impacto direto: acolher a liminar poderia estreitar o espaço de circulação de pesquisas e criar precedente sobre como se registra e divulga levantamentos em momentos sensíveis; negá‑la manteria a pesquisa como retrato do momento, com custos políticos claros para o candidato. Em termos práticos, o episódio amplia a necessidade de uma resposta rápida e consistente da pré-campanha e eleva a atenção sobre a metodologia adotada por institutos em ciclos eleitorais polarizados.