O senador Flávio Bolsonaro afirmou em vídeo nas redes sociais que usa um colete à prova de balas por medo de sofrer um atentado, em referência à facada sofrida por seu pai em 2018. Na gravação, ele aparece vestindo o equipamento e justificou a medida pelo clima de “muito ódio” e por temer agressões contra sua pessoa, numa narrativa que mistura autoproteção e apelo simbólico ao eleitorado bolsonarista.

O discurso de segurança pessoal chega em meio ao vazamento de mensagens e um áudio publicado pelo site The Intercept Brasil que ligam Flávio ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a uma transferência estimada em R$134 milhões destinada, segundo as mensagens, ao financiamento do filme biográfico Dark Horse. Flávio confirmou ter recebido recursos relacionados ao projeto, mas negou benefício pessoal direto; a produtora, por sua vez, disse não ter recebido aquilo que foi divulgado.

O episódio teve repercussão imediata nas intenções de voto. Pesquisa Futura/Apex divulgada na última sexta-feira mostra recuo de Flávio em cenário de segundo turno: Lula com 47,7% e Flávio com 42,2%, queda de 4,7 pontos na comparação com rodada anterior. Para a campanha do PL, que nega a busca por alternativas ao nome do senador, os números funcionam como sinal de alerta: a combinação entre alegações de perseguição e a suspeita de vínculos financeiros expõe fragilidades na narrativa pública do candidato.

Do ponto de vista político, a conjunção entre reclamação de risco pessoal e a emergência de dúvidas sobre financiamento tem efeito ambíguo: pode gerar simpatia, mas também alimentar descrédito se a sensação de vulnerabilidade for vista como tática para desviar o foco de alegações problemáticas. Em ambiente competitivo, quedas em levantamentos eleitorais pressionam estratégias, exigem respostas documentadas e aumentam a necessidade de neutralizar a percepção de inconsistência — tarefa que cabe não só ao próprio candidato, mas à cúpula do PL.