Documentos do Aeroporto de Brasília obtidos por O Estado de S.Paulo mostram que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro realizou ao menos duas viagens em 2025 em aeronaves particulares de terceiros, na companhia da mulher e do advogado Willer Tomaz. Um dos registros aponta saída do terminal executivo pouco depois da meia-noite de 1º de maio, com destino à Flórida, em um jato de longo alcance registrado em nome de uma empresa ligada aos donos da União Química.

Os papéis mostram também que em 1º de abril Flávio e sua família entraram no terminal às 16h e, menos de dez minutos depois, decolou um Cessna 550 Bravo ligado a uma empresa do próprio Willer Tomaz com destino ao Rio de Janeiro. Há ainda menção a três outras entradas do senador para embarques em aviões particulares, cujos destinos e proprietários não foram identificados nos registros consultados.

Os deslocamentos tiveram caráter pessoal e familiar, sem qualquer contrapartida ou relação com a administração pública.

Questionado, o senador afirmou que os deslocamentos tiveram caráter pessoal e familiar, mas não esclareceu quem arcou com as despesas das aeronaves. A aeronave que viajou para a Flórida está registrada em empresa de sócios da União Química; o escritório de Willer Tomaz já atuou para essa empresa em processos judiciais, segundo o próprio levantamento. A reportagem telefonou a um dos sócios do dono do jato, que não retornou o contato.

Willer Tomaz, conhecido nos bastidores de Brasília por relações com políticos de diferentes espectros, declarou que os voos foram privados e decorrentes de amizade, sem vínculo comercial ou contrapartida. O advogado também tem histórico de envolvimento em investigação que foi oficialmente arquivada pelo TRF-1 por falta de provas, fato que reacende questionamentos sobre exposição e reputação nos círculos políticos.

A repercussão política é imediata: em ano de pré-campanha e com a proximidade de 2026, a falta de transparência sobre quem pagou pelas viagens e a utilização de jatos vinculados a empresas reguladas pelo governo podem ampliar dúvidas sobre condutas e aumentar o custo político para a candidatura. O episódio coloca pressão para que o senador detalhe os custos e eventuais vínculos, sob o risco de abrir espaço para narrativas que agravem desgaste no eleitorado e entre aliados.

Os voos foram de natureza estritamente privada, realizados no contexto de relação de amizade entre as partes, sem vínculo comercial.