O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarca neste sábado (4/7) para os Estados Unidos e participará na segunda-feira (6/7) de uma audiência pública sobre as tarifas comerciais anunciadas pelo governo americano. Antes da viagem, em evento do PL no Rio, ele afirmou que vai defender o Pix e tratou o sistema como "conquista do Brasil", atribuindo sua criação ao governo de Jair Bolsonaro.
Segundo o parlamentar, ele encaminhou às autoridades norte-americanas um documento que sustenta: o Pix é uma infraestrutura pública soberana, comparável ao FedNow do Federal Reserve, e não configura concorrência desleal para empresas americanas do setor de meios de pagamento. No texto, Flávio também afirma que a expansão do Pix não teria reduzido a participação de bandeiras e companhias de cartões dos EUA no mercado brasileiro.
A iniciativa ocorre no contexto de uma investigação comercial aberta pelos EUA sobre práticas brasileiras, e em meio a críticas do presidente Lula, que acusou adversários de prejudicarem interesses nacionais nas discussões sobre o chamado "tarifaço". A ida do senador aos EUA mistura, assim, uma defesa técnica do sistema com um recado político: reforçar o legado do governo anterior e sinalizar proteção à infraestrutura doméstica.
Há consequências práticas e políticas. Internacionalizar a defesa do Pix pode ser necessário para afastar riscos regulatórios e comerciais, mas também expõe o tema a interpretações diplomáticas. Paralelamente, a iniciativa pressiona o governo federal a articular resposta técnica e política, sob risco de transformar uma questão econômica em ponto de disputa eleitoral e de afetar empresas financeiras que atuam no Brasil.