Flávio Bolsonaro fez na manhã desta terça-feira (13) a primeira visita a Jair Bolsonaro desde o fim das restrições determinadas por Alexandre de Moraes no STF. Chegou por volta das 9h30 à residência do ex-presidente em Brasília e permaneceu cerca de uma hora. À saída, disse sentir a "energia renovada" e afirmou que pretende levar essa mensagem ao público em suas agendas de campanha.

O encontro ocorre no contexto da situação jurídica de Jair Bolsonaro: o ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses por episódios relacionados à tentativa de golpe após a eleição de 2022, com menção a crimes como organização criminosa armada e atentado ao Estado Democrático de Direito. Após cirurgia e tratamento por pneumonia bacteriana, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. A proximidade pública entre pai e filho volta a ter implicações simbólicas e práticas para a corrida eleitoral.

No mesmo dia, Flávio concentrou a agenda em São Paulo. Às 16h participou de evento do MDB que formalizou apoio majoritário à sua candidatura neste segundo turno: 17 dos 27 diretórios estaduais da sigla declararam apoio. Estiveram presentes lideranças como o presidente do MDB, Baleia Rossi, o prefeito Ricardo Nunes e o governador Tarcísio de Freitas. Em seguida, o candidato participou de encontro associativo no Clube Atlético Monte Líbano com representantes do comércio e, à noite, jantou na sede da Fiesp, na Avenida Paulista, onde apresentou suas propostas a empresários.

A sequência Brasília–São Paulo tem significado político claro. Por um lado, a adesão do MDB e a recepção em ambientes industriais e comerciais ampliam a capilaridade e a legitimidade institucional da campanha, trazendo recursos políticos e interlocução com setores do centro. Por outro, a reaproximação pública com Jair Bolsonaro pode energizar a base, mas também acende alerta sobre custo eleitoral junto a eleitores moderados: a imagem do candidato fica atrelada ao encadeamento de eventos que envolvem um condenado por tentativa de abolição da ordem democrática.

Há ainda sinais de fragilidade na própria costura de apoios: o apoio do MDB foi majoritário, mas não unânime, o que indica divisões internas que a campanha terá de administrar. Na prática, a estratégia de consolidar apoios institucionais e econômicos exige equilibrar a mobilização da militância fiel com a necessidade de ampliar o eleitorado. Nas próximas semanas, caberá ao comando da candidatura transformar apoios formais em votos efetivos — sem que a proximidade com o ex-presidente se torne argumento para adversários questionarem compromissos democráticos ou afastar eleitores de centro.