O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou a Washington para participar de audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a possibilidade de aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros. Segundo o parlamentar, ele permaneceu além do previsto para apresentar argumentos técnicos contra a taxação e também uma mensagem política ao órgão que fará recomendação ao governo norte‑americano, cuja decisão final está marcada para 15 de julho.
Na transmissão em seu canal, Flávio criticou a ausência de representantes do governo federal no encontro e fez duras críticas à política externa do presidente Lula, apontando postura “antiamericana” como fator que teria contribuído para a pressão sobre o Brasil. O tom político da intervenção — mais voltado a reforçar uma narrativa de desgaste do governo do que a apenas expor dados técnicos — destaca o uso do episódio com fins de visibilidade nacional e eleitoral.
Além de argumentar que as tarifas prejudicariam exportadores e consumidores dos dois lados, o senador disse ter defendido inovações como o Pix e anunciou que levará proposta para discutir uma área de livre‑comércio das Américas, incluindo Brasil, EUA, México, Canadá e possivelmente Argentina. Flávio afirmou ainda que pretende manter reuniões com interlocutores americanos na tentativa de influenciar o processo decisório, citando a necessidade de entender a sensibilidade da administração Trump.
A iniciativa privada de um senador numa disputa comercial internacional acende alerta sobre a ausência de coordenação entre Executivo e Legislativo em questões sensíveis de comércio exterior. Politicamente, o episódio complica a narrativa oficial ao expor uma lacuna de representação num momento decisivo e oferece palanque para um pré‑candidato que transforma uma questão técnica em prova de ação. Resta saber se a movimentação de Flávio terá peso na decisão do USTR e se o governo brasileiro reagirá para ocupar o vazio diplomático antes do prazo de 15 de julho.