A margem estreita — inferior a dois pontos — da vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno transformou as próximas semanas numa corrida por transferências de voto. A campanha do PL acionou interlocutores para priorizar costura de apoios entre derrotados e dirigentes estaduais; a adesão de Romeu Zema e a sinalização de Ronaldo Caiado já aparecem como vitórias políticas imediatas, enquanto candidatos como Augusto Cury e Renan Santos mantêm distância.

No plano operacional, equipes do PL apostam num choque de presença: carreatas, motociatas e agendas públicas reforçadas para as três semanas que antecedem a votação de 25 de outubro. A estratégia — inspirada em táticas já usadas pelo núcleo bolsonarista em eleições anteriores — busca transformar declarações de apoio em empenho nas ruas, com tentativa de capilarizar a mobilização por regiões e públicos que não foram totalmente alcançados no primeiro turno.

A campanha também mira o tabuleiro institucional. Flávio tem destacado a bancada eleita pelo PL — 121 deputados e 19 senadores — como argumento de governabilidade, mas a força formal do partido não garante maioria automática. União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB mantêm peso decisivo nas negociações e a adesão dessas legendas será determinante para a formação de uma base no Congresso. A movimentação de Tarcísio de Freitas para aportar recursos humanos e articulação estadual, e o apoio público do ex‑presidente Michel Temer, ampliam a rede de apoios, mas não eliminam a necessidade de acordos pontuais em Brasília.

O quadro acende alerta para o campo opositor: a transferência de votos dos eliminados é incerta e as ações nas ruas terão de se traduzir em votos válidos. Do lado governista, a ofensiva de Flávio força Lula e sua base a reforçar a conversão de intenções em comparecimento às urnas. No prazo curto que resta, a disputa tende a ser decidida tanto pela capacidade de agregação partidária quanto pela eficácia da mobilização territorial — e é aí que as declarações de apoio terão valor estratégico real ou poderão ficar apenas no simbólico.