O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu, nesta sexta, à iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de endurecer regras sobre o mercado de apostas, classificando o petista como o “pai do Tigrinho”. A crítica foi feita em cerimônia da Polícia Militar no Rio de Janeiro, em resposta à previsão de que o governo publique ainda hoje uma medida provisória para limitar plataformas de apostas on-line, incluindo cassinos virtuais e modalidades conhecidas como “Jogo do Tigrinho”.

Na avaliação do candidato do PL, a ação presidencial teria caráter eleitoral: segundo ele, Lula percebeu o avanço das apostas na sociedade e tentou se aproximar de eleitores com a medida. O pacote em elaboração combina restrições ao setor e um programa que altera o tratamento de dívidas antigas de consumidores, com possibilidade de assunção pelo Tesouro — pontos que ampliam o alcance político da proposta para além da questão das apostas.

O instrumento escolhido, uma MP, coloca as regras imediatamente em vigor e joga para o Congresso a tarefa de examinar e alterar o conteúdo. Isso transforma a iniciativa em foco de negociação entre Executivo, bancadas e setor regulado, e pode forçar aliados a decisões de custo político. Flávio também afirmou que, se eleito, proibiria as bets, mas já sinalizou distinção entre modalidades, mencionando controles em apostas vinculadas a eventos esportivos reais.

A ofensiva presidencial e a resposta do principal candidato do governo acendem um debate com consequências para 2026: além de mobilizar eleitores, a disputa pode pressionar bancadas no Congresso e testar a capacidade do Planalto de (re)articular apoio em torno de medidas com impacto econômico e social. Resta ver como a tramitação legislativa e a reação dos setores envolvidos vão modular o alcance político da MP.