Em gravação feita na sede do PL Nacional nesta quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro voltou a tratar publicamente da composição de uma chapa presidencial e citou a deputada Bia Kicis como um dos nomes lembrados quando afirmou sua preferência por uma 'vice mulher'. O pré-candidato evitou, porém, formalizar qualquer escolha, ressaltando que a definição permanece em aberto e que a discussão envolve apoiadores e lideranças do partido.

O registro ocorre em um contexto de ensaio de alternativas femininas no entorno de Flávio: além de Bia Kicis, são frequentemente mencionadas a senadora Tereza Cristina (PP-MS), com trânsito no agronegócio; a deputada Clarissa Tércio (PL-PE), ligada ao público evangélico; Simone Marquetto (PP-SP), apontada como interlocutora de eleitorado feminino; e Júlia Zanatta (PL-SC), ligada à ala mais ideológica. A menção a distintas figuras expõe a tentativa de compatibilizar apoios regionais e de base ideológica sem sacrificar palanque ou canais de negociação.

A referência direta a Kicis sinaliza uma tentativa de manter coesão com a base mais alinhada ao bolsonarismo, mas também revela limites estratégicos: uma vice escolhida no núcleo duro da campanha pode reforçar adesão entre os militantes, ao custo de dificultar a atração de setores do centro e do agronegócio que buscam sinais de moderação. Flávio, no vídeo, associou a discussão sobre vice a propostas de governo — como modernização do SUS e endurecimento contra o crime — reforçando que a escolha deverá conversar com a plataforma e com as promessas de campanha.

Ao deixar a questão em aberto e convidar à avaliação de nomes, o senador amplia a janela de negociação interna no PL e junto a aliados, mas também abre espaço para pressões e expectativas públicas. A menção a Bia Kicis reproduz uma lógica de proximidade política e afeto, mas não resolve o nó político: a decisão ainda terá efeitos sobre a construção de coligações, o alcance eleitoral e a narrativa que a campanha pretende adotar rumo a 2026.