Em entrevista ao podcast SantoFlow, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro comparou a circulação de boatos que o ligaram à suposta retirada do título de Nossa Senhora Aparecida a uma agressão pessoal, equiparando o alcance da desinformação ao atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018. Ele disse ter ficado surpreso com a velocidade de propagação do conteúdo.
Flávio atribuiu a difusão das publicações a perfis de esquerda e anunciou que vai apresentar uma ação judicial robusta para mapear a rede de disseminação. A estratégia judicial, além de buscar reparação, tende a transformar o caso em mais um ponto de confronto político entre seu núcleo e o PT, com potencial para aprofundar a polarização nas redes.
No debate sobre religião, o candidato fez defesa ostensiva da não intervenção do Estado nos cultos e da manutenção de isenções tributárias a igrejas, argumentando que o trabalho social realizado por templos justifica privilégios fiscais. A posição expõe uma tensão: defender o Estado laico ao mesmo tempo em que pleiteia benefícios fiscais para instituições religiosas abre espaço para questionamentos sobre equidade e custo fiscal.
Ao receber uma imagem de Nossa Senhora confeccionada em crochê, Flávio afirmou que guardará o presente com carinho. Politicamente, a narrativa combina vitimismo, fé e litígio como instrumentos de campanha — fórmula que pode mobilizar a base, mas também acende alerta sobre a mistura entre religião, benefício fiscal e disputa judicial, temas nos quais será necessário demonstrar evidências e transparência.