O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta terça que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do dono do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025 no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo o parlamentar, o encontro ocorreu após Vorcaro ter ficado detido por dez dias por ordem do ministro André Mendonça, do STF, e teve por objetivo pôr fim à participação do empresário no financiamento da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

Reportagens do portal The Intercept Brasil revelaram áudios e mensagens em que Flávio solicita recursos para a produção. Conforme o material jornalístico, Vorcaro teria se comprometido a destinar cerca de R$ 134 milhões ao filme, dos quais ao menos R$ 61 milhões teriam sido liberados. Até a divulgação das matérias, o senador vinha negando relações com o banqueiro; após o vazamento, passou a admitir contatos iniciados em 2024, no período posterior ao governo Bolsonaro.

Flávio atribuiu a apresentação a Thiago Miranda, publicitário ligado à agência MiThi, e ao produtor Mário Frias, que já figuram na investigação e na cobertura pública. Miranda é apontado como intermediário do aporte e suspeito de ter contratado influenciadores para uma campanha em defesa do Banco Master, ação que coincide com a liquidação extrajudicial do conglomerado pelo Banco Central em novembro de 2025. O senador disse ainda que, ao tomar conhecimento da gravidade das suspeitas, decidiu encerrar a relação com o investidor.

Do ponto de vista político, o episódio amplia desgaste para a pré-candidatura de Flávio: expõe contradições entre negações anteriores e as confirmações recentes, e coloca sob escrutínio a escolha de parceiros financeiros num momento em que o caso Master segue sob investigação. A montagem do episódio tende a pressionar aliados e obrigar ajustes de narrativa e de estratégia em Brasília, enquanto apurações e questionamentos públicos continuam.