A reportagem publicada pela revista piauí colocou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro no centro de um novo episódio de desgaste: ele viajou com a família em janeiro de 2025 em um jato executivo cujo controle societário está vinculado ao empresário Daniel Vorcaro. Depois da divulgação, circulou um vídeo de julho em que o senador afirmava que nunca tinha entrado em uma aeronave associada a Vorcaro. Em resposta nas redes, Flávio confirmou a viagem, disse que acreditava que o avião era do advogado Willer Tomaz e ressaltou que, à época, não teve contato com Vorcaro — ironizando ainda o episódio pelo uso posterior da mesma aeronave pelo ministro Alexandre de Moraes.

Os registros mostram que o voo partiu de Fort Lauderdale (região de Miami) às 12h15 de 19 de janeiro de 2025, pousando em Brasília às 20h01. A aeronave foi identificada como um Legacy 650, prefixo PP-NLR. No mesmo deslocamento, segundo apurado, estava o advogado Willer Tomaz, cujo nome aparece em investigação da Polícia Federal sobre descontos indevidos em benefícios do INSS. A administração e a cessão do jato envolvem a Prime Aviation, a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. e a Prime You, numa cadeia societária que, conforme registros, inclui cotistas e participações que hoje são objeto de esclarecimento por parte dos envolvidos.

A nova versão pública de Flávio — atribuindo a posse do avião a Tomaz — entra em choque com a declaração anterior gravada em julho e reexibida nas redes. Esse tipo de contradição, somado à associação com nomes que aparecem em investigações e ao vínculo com um banqueiro como Vorcaro, tende a amplificar o desgaste da campanha: expõe contradição, complica a narrativa oficial sobre proximidades e levanta dúvidas sobre a transparência no uso de recursos e na relação com operadores de aeronaves. É importante frisar que a confirmação da viagem não implica, por si só, ilicitude, mas cria espaço para questionamentos políticos e para que adversários e imprensa exijam documentação e esclarecimentos.

Do ponto de vista prático, a disputa agora se desloca para provas documentais: quem detinha, à época, a titularidade das cotas, como se deu eventual cessão à Prime You e se houve comunicação formal da transferência. Para o eleitor e para os analistas políticos, o custo imediato é reputacional — especialmente em ano eleitoral — e força o candidato a explicar pontos que pareciam encerrados. O episódio ilustra como vínculos societários e certezas públicas podem virar problema político quando aparecem discrepâncias entre versões; é, portanto, mais um tema que complica a já delicada agenda de transparência da candidatura.