Faltando poucos dias para o encerramento das convenções partidárias e com registro de candidaturas no TSE até 15 de agosto, Flávio Bolsonaro ainda não tem nome para compor a vice na chapa presidencial. A indefinição ganha peso político pela proximidade do prazo e pela necessidade de fechar pactos que ampliem alcance eleitoral e bancada no Congresso.
A opção considerada 'sonho de consumo' para o PL era a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela chegou a aceitar o convite, mas a executiva do PP optou pela neutralidade nacional — movimento que, segundo a senadora, deixou as chances de compor a chapa bastante reduzidas. No PL, a avaliação sobre Tereza é pragmática: sua ligação com o agronegócio, boa interlocução no Congresso e baixa rejeição poderiam agregar eleitores e dar capilaridade parlamentar.
Nos bastidores, interlocutores apontam que a resistência ao acordo partiu da cúpula do PP, com Ciro Nogueira exercendo papel decisivo. A relação entre Flávio e o comando do partido foi afetada por episódios recentes, inclusive pela crise envolvendo o Banco Master, diz a base apurada. Outros nomes, como a deputada Simone Marquetto (PP-SP), aparecem como alternativa, mas dependem do aval da direção nacional do partido.
A consequência mais imediata é política: se o PL fechar a campanha sem uma aliança que some bancada e setores estratégicos, cresce a probabilidade de levar adiante uma chapa 'puro-sangue' — cenário que limita palanques regionais e a capacidade de diálogo com segmentos-chave. Com o relógio para as convenções correndo, a pressão por um plano B aumenta e a dificuldade em formar pontes reforça a necessidade de improviso ou de nova tática eleitoral.