Em comício realizado em Joinville (SC), o candidato do PL reagiu ao anúncio do governo de um reajuste de 15% no Bolsa Família, que ele classificou como um gesto de desespero com objetivo eleitoral. O aumento, que eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, foi anunciado na quinta-feira 17, às vésperas do primeiro turno marcado para 4 de outubro, e entrou de imediato na pauta de ataques da oposição.

Flávio Bolsonaro argumentou que a medida foi motivada por pesquisas recentes, afirmando que o governo deixou para agir apenas quando sinais de empate apareceram nas sondagens. O candidato também criticou o calendário do reajuste, dizendo que, se a prioridade fosse o público beneficiário, o aumento teria sido concedido em anos anteriores — acusação que busca transformar uma ação social em peça de campanha.

Além das críticas do PL, o episódio já provocou reações diversas: aliados da oposição chegaram a falar em crime eleitoral, enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) rebateu parte das acusações ao afirmar que o reajuste não cria um benefício novo. A controvérsia expõe, na prática, um dilema político para o governo: a medida tem impacto social imediato, mas seu timing facilita a leitura de cálculo eleitoral e amplia a narrativa adversária.

A comparação com a estratégia de 2022, quando o então presidente elevou o Auxílio Brasil em porcentagem maior e com antecedência diferente, reforça o debate sobre o uso de gastos sociais no período pré-eleitoral. Politicamente, o episódio acende alerta para a campanha de Lula — que terá de justificar a opção técnica e o calendário — e oferece tema de ataque constante para o concorrente do PL, que passa a explorar desgaste e contradição em torno da medida.