O presidenciável Flávio Bolsonaro criticou nesta terça-feira a proposta em debate no Senado que reduz a jornada e institui dois dias de descanso semanal — a chamada escala 6x1 — e defendeu que a solução passe pela liberdade do trabalhador para organizar sua própria jornada. Ao lado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no QG de campanha em Brasília, ele afirmou que é preciso dar opções para quem, por exemplo, precisa de horários compatíveis com cuidados familiares e prometeu um programa de vouchers para vagas em creche privadas quando a rede pública for insuficiente.
A fala tem claro viés de campanha: Flávio associou o tema ao segundo turno e acusou o governo de instrumentalizar a discussão para obter ganho político no momento eleitoral. Essa leitura acende alerta sobre a politização do debate trabalhista e complica a narrativa oficial, ao transformar uma proposta legislativa em munição para disputa eleitoral entre os palanques.
No plano econômico, o candidato repetiu compromissos com redução de encargos sobre a folha e simplificação de regras para empresários, apostando em medidas pró-mercado para estimular contratação. A ênfase em dar flexibilidade ao horário e em aliviar custos trabalhistas busca atrair tanto mães e trabalhadores com horários atípicos quanto o eleitor empresarial — um recado para o Congresso sobre a prioridade de reformas que favoreçam maior flexibilidade e menor custo para o empregador.
Após a coletiva em Brasília, Flávio seguiu para Goiânia com Tarcísio e o vice Alfredo Gaspar para se encontrar com o governador Ronaldo Caiado, numa estratégia clara de ampliar alianças regionais rumo ao segundo turno. Para o governo, a ofensiva indica que será necessário consolidar apoio no Senado e reapresentar argumentos técnicos que tirem o tema do campo estritamente eleitoral; para a oposição, é uma tentativa de transformar a pauta trabalhista em trunfo político e eleitoral.