O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro contestou, em coletiva nesta terça-feira, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes que autorizou mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim. Segundo a determinação judicial, Cutrim é apontado como fonte de reportagens publicadas pelo jornalista Luís Pablo Almeida. A investigação corre sob sigilo; a Polícia Federal cumpriu as medidas com aval da Procuradoria-Geral da República e apreendeu aparelhos eletrônicos.

Ao avaliar o episódio, Flávio exibiu preocupação com o impacto sobre a atividade jornalística e a disposição de fontes em colaborar com reportagens, e pediu unidade da imprensa para contestar o que classificou como arbitrariedades. A declaração do candidato amplia o tom político do caso e acende alerta sobre o limite entre apuração e ações penais que atinjam profissionais e suas fontes.

O episódio reaparece no contexto de uma investigação que já levou a outra operação contra o mesmo jornalista em março de 2026, após reportagens sobre uso de veículos oficiais no Maranhão. A PGR manifestou-se favorável à atuação da PF nas diligências desta semana, que recolheram computadores e celulares no cumprimento dos mandados autorizados por Moraes.

Politicamente, a reação de Flávio interessa ao jogo eleitoral: ao transformar o episódio em pauta pública, ele pressiona por manifestações de outros ministros e força um debate sobre proteção de fontes e proporcionalidade das medidas. Para além da retórica, o caso coloca o Supremo sob escrutínio sobre como conciliar investigações com garantias constitucionais ao jornalismo investigativo.