O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou com veemência, na terça-feira (19/5), a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1, sustentando que o tema tem sido tratado com foco eleitoral e oferece “soluções fáceis” ao mercado de trabalho. A declaração foi dada após reunião da bancada do PL em Brasília, no mesmo momento em que a comissão especial da Câmara se prepara para apresentar o parecer e votar o texto do relator Leo Prates (Republicanos-BA).

Como alternativa, o PL anunciou uma proposta baseada na remuneração por hora trabalhada, com garantia proporcional de direitos como 13º salário, férias e FGTS. Segundo Flávio, o modelo permitiria ao trabalhador escolher a jornada — e beneficiaria, em especial, mulheres que precisam de flexibilidade para conciliar emprego e cuidados familiares. A defesa da modernização da CLT foi colocada como fundamento para adaptar as regras às novas formas de contratação e às tecnologias que transformaram o mercado.

A crítica do senador incide sobre dois pontos centrais: o temor de aumento do custo do emprego e o risco de desemprego em massa, caso a modificação nas escalas seja imposta sem contrapartidas à atividade econômica. Parlamentares de oposição e setores empresariais já discutem mudanças no texto, enquanto movimentos sindicais pressionam pela redução da jornada. O debate, que tem apelo popular, acende alerta sobre os trade-offs entre proteção ao trabalhador e flexibilidade contratual.

Do ponto de vista político, a ofensiva do PL busca ocupar o espaço da narrativa da modernização laboral antes que a PEC avance em formato considerado pelos aliados como mais rígido. A proposta por hora, porém, também expõe um dilema: pode ampliar liberdade de escolha, mas tem o potencial de precarizar vínculos se a proporcionalidade dos direitos enfraquecer a proteção dos trabalhadores. O desfecho na comissão especial — e eventual pedido de vista da oposição — vai medir até onde a Câmara aceita conciliar apelo social com pressões por flexibilização.