O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escalada na disputa comercial com os Estados Unidos. Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta quinta-feira (16/7), o parlamentar afirmou que a postura do governo brasileiro, segundo ele, foi decisiva para a adoção das alíquotas de 25% anunciadas por Donald Trump e acusou a gestão de negociar de má-fé com Washington.

A fala do senador busca transformar o episódio em instrumento de ataque político, mas encontrou resistência no próprio Planalto. Integrantes do governo ouvidos pela reportagem ressaltam uma contradição: nos últimos dias, diz a interlocução governamental, Flávio participou de reunião com autoridades americanas — incluindo Marco Rubio e o presidente Trump — em pauta que tratou, entre outros pontos, do pedido para que facções como PCC e Comando Vermelho fossem classificadas como organizações terroristas.

A ofensiva do parlamentar tem duplo efeito: procura canalizar o descontentamento com a medida americana para desgastar o Executivo, mas expõe fragilidades na narrativa opositora ao trazer à tona contatos diretos de Flávio com Washington. Do ponto de vista diplomático, o episódio amplia a visibilidade de um atrito comercial que já tem reflexos práticos; politicamente, acende alerta sobre coerência e estratégia da oposição em ano pré-eleitoral.

No curto prazo, a disputa verbal tende a pressionar o governo a detalhar sua estratégia de negociação com os EUA e a explicar impactos para setores afetados. Para Flávio, a mensagem é clara: transformar a pauta externa em instrumento de campanha. Para o Planalto, a resposta passa por demonstrar que a condução da política externa não pode ser reduzida a acusações públicas sem base única nos fatos apresentados.