No debate da TV Globo, a defesa pública feita por Flávio Bolsonaro da inocência do cabo da Polícia Militar acusado pela morte da menina Ana Clara, em 2021, virou foco e gerou protesto da mãe da criança, presente na plateia. O candidato do PL afirmou ter convicção de que o policial não foi o autor do disparo; a mãe contestou a narrativa no momento, citando o laudo da Polícia Civil que, segundo ela, apontou ausência de confronto no local.
O episódio expôs uma tensão entre a postura de linha dura em segurança — com propostas de Flávio para classificar organizações criminosas como narcoterroristas e reduzir a maioridade penal — e a sensibilidade pública diante de casos com vítimas infantis. Flávio também defendeu investimentos em ensino integral como ferramenta de prevenção; do outro lado, Lula reagiu relacionando o adversário a milicianos do Rio e reforçou sua proposta de criar um ministério da Segurança para fortalecer as polícias federais e rodoviárias.
Politicamente, a cena tem efeito prático: a defesa de um acusado em presença da família da vítima pode custar pontos a Flávio junto a eleitores sensíveis a direitos de vítimas e ao princípio de responsabilização institucional. Para a campanha do petista, abriu-se uma oportunidade para disputar a autoridade sobre segurança pública e enquadrar o rival como próximo de forças locais ligadas a milícias — argumento que tende a ressoar sobretudo no eleitorado urbano e nas regiões mais afetadas pela violência organizada.
O confronto ilustra como a agenda de segurança será tratada na corrida até 2026: combinações de repressão, endurecimento penal e políticas de prevenção estarão no centro do debate. Mas o custo político de posicionamentos percebidos como insensíveis a vítimas ou próximos a estruturas irregulares pode ser relevante. A partir deste episódio, a campanha de Flávio terá de decidir se reafirma sua linha pública de defesa de policiais em litígio ou se ajusta o tom para mitigar desgaste diante de eleitores que exigem respostas claras às famílias afetadas.