O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a defender publicamente a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master após a divulgação de um áudio em que solicita recursos ao empresário Daniel Vorcaro. A mobilização foi liderada no Senado pelo colega Carlos Viana (PL-MG), que tem recolhido assinaturas para um requerimento em articulação na base governista.

Apesar do discurso recente, Flávio não assinou os primeiros pedidos de investigação apresentados no Congresso. A primeira proposta de CPI no Senado foi protocolada em novembro de 2025 pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e reuniu o apoio de 53 senadores, sem a adesão de Flávio. Em abril, foi protocolado um pedido de CPMI por deputadas da oposição, também sem a assinatura do parlamentar fluminense.

Desde a repercussão das conversas com Vorcaro, o senador mudou o tom: além de apoiar a nova iniciativa em costura de Viana, aderiu a um requerimento da bancada do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e assinou pedido de CPI apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para investigar relações do Banco Master com ministros do STF. Se protocolado, o novo pedido será o sétimo relacionado ao caso em tramitação ou articulação no Congresso.

A adesão tardia de Flávio tem efeito político claro: reduz a margem para o discurso de distanciamento e alimenta a percepção de tentativa de controle da narrativa após a exposição do áudio. Observadores e adversários interpretam a mudança como sinal de pressão crescente sobre o clã Bolsonaro, enquanto a multiplicidade de requerimentos eleva o custo político e amplia o foco público sobre as relações entre atores privados e instituições.