Em vídeo publicado na manhã de domingo (26/4), o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a colocar no centro do debate eleitoral a exploração de terras raras no Brasil, propondo que países e empresas estrangeiras explorem esses minerais aqui mediante transferência de tecnologia. No mesmo material, o pré-candidato afirmou que manteria o Pix sem taxas e reiterou que pretende negociar com governos como os dos Estados Unidos e da China.
A mensagem de Flávio insiste na ideia de “agregar valor” à cadeia produtiva: em vez de exportar minérios in natura, o país deveria buscar produzir bens com maior conteúdo tecnológico. Ele defendeu, portanto, receber investimentos externos qualificados e acordos que tragam know‑how para a indústria nacional — uma posição que visa acelerar crescimento e reposicionar o Brasil em cadeias globais de valor.
O tema ganhou relevância prática esta semana com a aquisição, por parte da americana USA Rare Earth, da empresa brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. A companhia era apontada como o único operador fora da Ásia capaz de produzir em escala os principais elementos magnéticos do grupo das terras raras, além de outros elementos como o ítrio. Internacionalmente, as terras raras são vitais para eletrônica, veículos elétricos, energia eólica e inteligência artificial, e a China ainda domina grande parte da cadeia de mineração e processamento — fato que explica o interesse dos EUA em garantir fontes alternativas.
A proposta de Flávio enfrenta um quadro legislativo e político já em debate: na Câmara tramita um projeto relatado por Arnaldo Jardim para regular minerais críticos, e corre paralelamente a articulação do PL 1733/2026 que prevê a criação da estatal Terrabras para coordenar a exploração. A polaridade entre atrair capital privado estrangeiro com transferência de tecnologia e apostar em uma empresa pública para concentrar a atividade expõe escolhas estratégicas que terão peso político e econômico no pré‑eleitoral. A alternativa defendida pelo senador pode agradar a investidores e setores liberais, mas também coloca o tema de soberania, governança e ganhos industriais na agenda — gerando decisão política difícil para quem ocupa o governo e abrindo espaço para confronto de narrativas na corrida para 2026.