A campanha do senador Flávio Bolsonaro anunciou que o ex-procurador da República Deltan Dallagnol será responsável por analisar os documentos relativos à quebra de sigilos autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a nota da equipe, o trabalho abrange os registros apresentados por Lula e por pessoas próximas — entre elas o filho Fábio Luís (Lulinha), a primeira-dama Janja e o assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro.
Recém-eleito senador pelo Paraná em 2022 e com histórico de atuação na Operação Lava-Jato, Deltan teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023. A campanha de Flávio afirmou que o exame incluirá extratos, relatórios e movimentações financeiras à procura de eventuais inconsistências, e justificou a medida como necessária antes de considerar os documentos como prova de transparência.
A iniciativa surge no mesmo momento em que Lula apresentou ao TSE autorização para levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, inicialmente condicionada à reciprocidade. Flávio, por sua vez, propôs ampliar o período de análise para 20 anos e envolveu exigências adicionais sobre familiares e empresas. O episódio acende alerta sobre a transformação de uma verificação técnica em instrumento de disputa política na reta final do segundo turno.
Do ponto de vista prático, a escalada tem efeito duplo: busca colocar sob escrutínio a documentação do presidente e, ao mesmo tempo, reforça a narrativa de contestação da campanha adversária. A escolha de Deltan, por seu perfil técnico-político conhecido, tende a atrair atenção e a amplificar a reação pública — o que pode complicar a leitura de transparência e empurrar a disputa para um confronto sobre versões e procedimentos, com potencial impacto institucional nas horas que antecedem a votação.