O presidenciável do PL Flávio Bolsonaro desautorizou publicamente a iniciativa do deputado Zé Trovão (PL) de levar ao Tribunal Superior Eleitoral uma ação contra o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo. Em transmissão semanal no YouTube, Flávio disse que não pediu a medida e que o deputado agiu por conta própria.

Horas antes da desautorização, Flávio havia classificado como "ilegal" o anúncio do aumento do benefício a 17 dias das eleições, argumentando que a correção pelo INPC e o momento configurariam tentativa de influência eleitoral. Ele também ressaltou que, segundo sua crítica, o governo não corrigiu o programa ao longo dos quatro anos anteriores.

O episódio aponta para um dilema prático do PL: ao mesmo tempo em que busca atacar o governo por uma ação que considera irregular, precisa controlar a judicialização promovida por seus próprios quadros. A divergência pública expõe risco de desgaste e confusão na mensagem da campanha, sobretudo em véspera de decisão eleitoral.

A ação movida por Zé Trovão chegou ao TSE e a desconexão entre o discurso de acusação do governo e a proatividade de aliados força o partido a ajustar postura. Para além da disputa jurídica, o caso tem efeito político imediato: complica a coordenação interna e amplia o debate sobre limites entre estratégia eleitoral e mobilização judicial.