O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desconversou nesta quinta-feira (21) sobre a viagem aos Estados Unidos prevista para a próxima segunda (25). Cercado por seguranças após a sessão conjunta do Congresso, o parlamentar respondeu em tom lacônico a perguntas de jornalistas: “Liga para a Casa Branca” — sem oferecer detalhes. Aliados, porém, confirmaram a ida e tratam a agenda como tentativa de aproximação com o presidente norte-americano, Donald Trump.
No plenário, Flávio participou de forma breve das discussões sobre a criação da CPMI do Banco Master e defendeu a investigação, mas evitou permanecer próximo da imprensa na saída. Assessores e seguranças dificultaram a aproximação de repórteres que tentavam questioná‑lo sobre a viagem e sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, citado em investigações.
Nos bastidores, parlamentares da oposição avaliam que a ida aos EUA visa reforçar a imagem do senador como representante do bolsonarismo alinhado a Trump para a disputa de 2026. A movimentação também aparece como resposta à recente viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, aproveitada pelo Palácio do Planalto como vitória diplomática.
Desde o episódio em que foi confrontado por um repórter do Intercept sobre Vorcaro, Flávio reduziu interações com a imprensa. A evasiva pública, o cerco de segurança e a restrição ao acesso jornalístico acendem alerta sobre o custo político da agenda externa e aumentam a pressão por esclarecimentos que justifiquem a operação de imagem.