O ministro Flávio Dino informou nesta sexta-feira (9/10) ter recebido trechos de um relatório da área de segurança do Supremo Tribunal Federal que reúne milhares de mensagens hostis, incluindo ameaças de morte e incitação à violência contra ministros. Segundo o magistrado, ataques direcionados circulam nas redes sociais e citam, entre outros, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Dias Toffoli, além de postagens dirigidas a ele próprio.
Dino associou a onda de hostilidade à repetição de informações falsas e afirmou que a circulação de mentiras contribui para transformar críticas em estímulo à perseguição. O ministro destacou sua trajetória de 37 anos no serviço público sem resposta a processo criminal e disse que a intimidação não será causa para alterar sua atuação profissional no Supremo.
Ao justificar a decisão de manter suas funções, Dino alertou para o efeito institucional das pressões: se magistrados começarem a temer represálias pessoais ao decidir, o próprio funcionamento do Poder Judiciário e a segurança da Constituição ficam ameaçados. A declaração aponta para um problema que vai além de episódios individuais e incide sobre a capacidade das cortes de julgar sem interferências externas.
O caso reacende o debate sobre o impacto da desinformação e da polarização nas instituições e sobre a necessidade de respostas dos poderes públicos e das plataformas digitais. A exposição de milhares de mensagens hostis funciona como sinal de alerta: a proteção a magistrados e a defesa da integridade do debate público aparecem como prioridades para preservar a confiança no sistema de justiça.