O julgamento convocado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, para analisar a petição 16.662 — relacionada ao relatório da Polícia Federal no Caso Master e à eventual ligação entre Alexandre de Moraes e o empresário citado nos autos — terminou nesta terça-feira (15/9) sem qualquer decisão. A sessão nem avançou sobre o mérito: passou o dia discorrendo sobre uma questão de ordem suscitada por Gilmar Mendes, a pedido do ministro Flávio Dino, e acabou interrompida quando Dino pediu vista, alegando falta de providências da presidência.

A discussão se acirrou a partir de uma intervenção de Gilmar Mendes enquanto o ministro André Mendonça falava, o que elevou o tom do debate. Dino afirmou que, diante da condução da sessão, faria uso do pedido de vista — medida que paralisou a análise e impediu até mesmo a apreciação de proposta de unificação do julgamento com outra petição (16.704), que também trata de relatório de inteligência da PF. A decisão de interromper os trabalhos mudou o foco: o que deveria ser um exame técnico do relatório passou a ser, segundo especialistas, um escrutínio sobre a forma como Fachin conduz a pauta.

O resultado prático é uma paralisação processual com efeitos políticos imediatos. Além de adiar a solução sobre alegações centrais do Caso Master, o episódio expõe fragilidades no gerenciamento da agenda do tribunal e amplia desgaste entre ministros. O uso estratégico do pedido de vista — legítimo, mas agora instrumentalizado em meio a trocas incisivas entre cadeiras — complica a narrativa oficial de que o plenário consegue deliberar com celeridade e disciplina. Para além do efeito jurídico, cresce a percepção pública de que controvérsias internas podem obstruir decisões relevantes.

Não há data para retomada do julgamento, o que deixa em aberto tanto a tramitação das petições quanto o impacto político sobre os envolvidos. O episódio sublinha a necessidade de regras e de coordenação mais claras na presidência do STF, sob risco de que confrontos internos transformem questões processuais em instrumentos de pressão política. Para o tribunal, o custo imediato é institucional: perda de foco na matéria central e mais incerteza sobre quando — e como — serão dirimidas disputas que interessam ao funcionamento da Corte.