O ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão das visitas do senador Flávio Bolsonaro a Jair Bolsonaro por 90 dias, medida motivada pela divulgação — pelo próprio Flávio — da última carta do ex-presidente. A proibição, que impede novos encontros até depois do primeiro turno, transformou um gesto de comunicação em um problema jurídico e político imediato para a pré-campanha do filho de Jair.

Nos bastidores do PL, aliados qualificaram a decisão de publicar a carta como “arriscada, mas necessária”: a leitura pública tinha a finalidade explícita de tentar pacificar atritos internos e unificar setores da direita em torno da pré-candidatura de Flávio. O contexto legal, no entanto, é sensível. A decisão judicial que manteve Jair Bolsonaro em prisão domiciliar inclui restrições ao uso de redes sociais e manifestações por terceiros; ao veicular o teor da carta e se posicionar como porta‑voz, Flávio assumiu um ônus que agora motivou a intervenção do STF.

Politicamente, o episódio tem efeito ambíguo. De um lado, o conteúdo público deslocou a atenção da imprensa e do eleitorado de problemas que vinham incomodando o PL — em especial as notícias que ligam o pré-candidato a Daniel Vorcaro e ao Banco Master e os atritos com alas do bolsonarismo — para um simbólico gesto de unidade. De outro, a medida de Moraes acende alerta: a instrumentalização da figura do ex-presidente, enquanto há limitações judiciais sobre sua comunicação, amplia desgaste legal e pode alimentar narrativas adversas sobre a condução da campanha.

O cálculo político de Flávio é claro: transformar a carta em momento de coesão pode reforçar sua pré-candidatura no curto prazo. Mas o risco é real. A suspensão das visitas interrompe a logística de contato entre pai e filho e coloca em evidência a tensão entre estratégia eleitoral e restrições judiciais. Para o PL, o desafio imediato é converter o episódio em vantagem eleitoral sem submeter a campanha a mais desgaste jurídico e sem permitir que a disputa interna fragmente ainda mais a frente anti‑governo — algo que, se não contido, favorece o principal adversário nas urnas.