O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que os recursos enviados pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao projeto do filme Dark Horse não foram repassados diretamente ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos. Em conversa com jornalistas no aeroporto, ele disse que os valores seguiram para um fundo criado com o objetivo específico de captar investimentos para a produção audiovisual.

Flávio saiu em defesa do advogado Paulo Calixto, apontado nas reportagens como destinatário de parte dos recursos, e destacou a experiência do profissional na abertura e gestão de fundos de investimento. Segundo o senador, a estrutura teria sido pensada para concentrar aportes em um veículo financeiro destinado ao filme, e não para transferências pessoais.

A manifestação do senador surge depois de reportagens do Intercept Brasil que publicaram áudios em que Flávio pede apoio financeiro a Vorcaro para a produção. As matérias afirmam que recursos teriam sido direcionados ao escritório do advogado ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. As informações não provam, por si só, irregularidade, mas ampliaram o escrutínio sobre a cadeia de pagamentos vinculada ao projeto.

O esclarecimento de Flávio tenta conter o desgaste político trazido pela divulgação dos áudios, mas tende a alimentar pedido de maior transparência sobre contratos, contratos societários e a prestação de contas do fundo. Para a cena política, o episódio pode gerar reações do ambiente opositor e demandas por explicações formais, além de potencializar dúvidas no eleitorado sobre a proximidade entre recursos privados e iniciativas ligadas a figuras públicas.