No ato contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, realizado nesta segunda-feira (7/9) na Avenida Paulista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a "esquerda" tentará uma "terceira facada" contra ele e seus aliados. A fala retomou a imagem de vítima já construída desde a agressão sofrida por Jair Bolsonaro em 2018 e citou a condenação relacionada aos atos de 8 de janeiro como a segunda "facada".

Flávio disse que faz campanha com colete à prova de bala e que adversários buscarão novamente interferir no processo eleitoral, tese que usou para reforçar a necessidade de união entre apoiadores. O tom mescla denúncia de risco pessoal e estratégia de mobilização: ao projetar uma ameaça externa, o discurso tende a reforçar a coesão da base e a justificar medidas de proteção e autoconvocação.

Do ponto de vista político, a declaração acende alerta sobre o efeito na polarização e na temperatura do debate público. Narrativas de ameaça podem pressionar instituições responsáveis pela segurança e pelo rito eleitoral, ao mesmo tempo em que deslocam o foco de investigações ou debates sobre responsabilidades políticas. Se bem-sucedida, a estratégia pode consolidar apoio; se percebida como instrumentalização do temor, corre o risco de desgaste junto a setores moderados.

A mensagem também opera como sinal para 2026: combina tentativa de manter o eleitorado mobilizado e de enquadrar adversários como responsáveis por eventual violência. Cabe às autoridades verificar e apurar eventuais ameaças, sem que a disputa política se converta em normalização de intimidação. A fala de Flávio reforça a tensão que já marca o ciclo político atual e impõe dilemas sobre segurança, retórica e responsabilidade pública.