Ao chegar à Escola Municipal Barão Homem de Melo, em Vila Isabel, às 8h20, Flávio Bolsonaro voltou a se colocar como alternativa de “mudança” no segundo turno, com ênfase em segurança pública e no combate ao endividamento das famílias. O candidato do PL falou brevemente à imprensa antes de votar e foi acompanhado pela esposa, Fernanda, pela mãe, Rogéria, e pelo governador eleito do Rio, Douglas Ruas.
Na curta declaração, Flávio procurou transformar a percepção de piora nas condições de vida em argumento central da campanha: endividamento e sensação de insegurança seriam motivos para romper com o que chamou de erro repetido. O tom buscou resgatar a insatisfação cotidiana do eleitor — deslocando o debate para a rua, a perda de bens e o aperto das contas domésticas.
Fora da seção, a cena mostrou a polarização do segundo turno: a rua foi tomada tanto por apoiadores do candidato do PL quanto por eleitores do presidente Lula, que entoaram palavras de ordem e lembraram o caso Ana Clara e as suspeitas de ligações com grupos de milícias associadas ao candidato. O confronto verbal durou até a saída de Flávio; depois, o fluxo voltou ao normal e permaneceram apenas os eleitores locais.
No plano eleitoral, o episódio tem duplo sinal. Por um lado, a ênfase em segurança e economia tenta capitalizar desgaste real entre parcelas do eleitorado; por outro, a presença visível de adversários e as retomadas às controvérsias públicas podem complicar a narrativa de renovação do candidato, ampliando pontos de ataque que a campanha terá de administrar até as urnas.