Em visita ao Mercado Municipal de São Miguel, na zona leste de São Paulo, o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira (20/8) que Pablo Marçal é um “cara do bem”, bem‑intencionado e preparado — e defendeu que seu campo político acolha quem se disponha a atuar contra o PT. O gesto foi apresentado como pragmático: a eleição, disse, deve ser tratada como um confronto com o partido do presidente, não apenas uma disputa entre nomes.

O aceno ocorre em meio a entraves jurídicos. Em 5 de agosto o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo manteve, por unanimidade, condenação que torna Marçal inelegível por oito anos, por uso indevido de meios de comunicação na campanha à Prefeitura de São Paulo. Apesar de ter registrado a candidatura após decisão liminar que reconheceu sua filiação ao PRTB com efeito retroativo, o Ministério Público Eleitoral pediu ao TSE que impeça esse registro. Em caráter liminar, a corte suspendeu o acesso de Marçal ao fundo eleitoral, ao horário gratuito e a participação em debates até o julgamento final.

O gesto de Flávio busca ampliar o leque anti‑PT, mas tem custos e limites práticos: a restrição do TSE reduz imediatamente a capacidade de propaganda e enquadramento público de qualquer eventual aliança, diluindo o ganho eleitoral que uma união nominal poderia trazer. Politicamente, a escolha expõe o PL a críticas por aproximar‑se de um nome sob suspeita de inelegibilidade, forçando explicações sobre critérios de coalizão e prioridades da campanha.

Na prática, o episódio indica um movimento estratégico de agrupamento em torno do mote anti‑PT, porém circunscrito por fatos judiciais que podem tornar a parceria mais simbólica do que efetiva. Resta ao PL calibrar até que ponto o gesto de unidade compensa o desgaste jurídico e eleitoral, enquanto o TSE avança no exame definitivo do caso.