A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) informou nesta segunda-feira que vai remeter à Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um novo relatório técnico com o espelhamento em tempo real do conteúdo do canal de WhatsApp 'Exército do Lula'. Segundo a nota da campanha, o material inclui parte do que o autor do canal, o deputado André Janones (Rede-MG), teria apagado.

A iniciativa ocorre depois de a área técnica do TSE, por meio da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), declarar que não localizou, entre 2 e 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos que vinculavam o senador a milícia, a cortes nas aposentadorias e à retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil — pontos citados pelo ministro Kassio Nunes Marques ao determinar a suspensão do canal no domingo, decisão depois revertida pelo relator do caso.

A AEED também apontou limitações no exame: parte das publicações foi excluída e duas postagens do período podem ter conteúdo similar ao que motivou a medida liminar. A campanha de Flávio argumenta que fez o espelhamento e preservou material que não estava mais acessível ao TSE, e critica a estratégia do canal de publicar comandos associados a links, o que — segundo a nota — dificultaria a verificação técnica e teria impedido a detecção de ilícitos pela equipe do Tribunal.

Politicamente, o episódio desloca o debate das alegações de desinformação para uma disputa sobre prova e controle técnico. A decisão técnica do TSE que não encontrou reproduções enfraquece momentaneamente o argumento usado para a suspensão, mas as ressalvas sobre conteúdos deletados mantêm incerta a agenda judicial. Para a campanha de Flávio, o envio do novo relatório é tentativa de transformar incerteza técnica em registro formal; para adversários e para a Corte, permanece o desafio de fiscalizar fluxos privados e links que somem em meio ao processo eleitoral.