O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro participou nesta segunda-feira (28/9) de uma caminhada com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no centro da capital. Durante o percurso, um apoiador entregou a ambos uma imagem de Nossa Senhora Aparecida; atendendo a um pedido de uma mulher presente, registrado em vídeo, os dois ergueram a representação diante dos apoiadores.
Flávio aproveitou o gesto para voltar a rebater a polêmica sobre a suposta retirada do título de Padroeira do Brasil. Citando a nota divulgada no mesmo dia pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o candidato afirmou que o posicionamento da entidade esclareceu a questão e tratou o boato como mentira, repetindo ainda que a sua propagação teria relação com o PT — uma acusação feita no domingo e apresentada até agora sem evidências públicas.
A CNBB, por sua vez, negou ter produzido ou disseminado o conteúdo e deixou claro que não concorda com a circulação da informação atribuída a ela. A nota buscou separar a instituição das acusações que circularam nas redes, postura que fragiliza a versão de que houve conivência de membros da conferência na difusão do boato.
Do ponto de vista político, o ato combina dois objetivos claros: neutralizar a repercussão negativa entre eleitores religiosos e dar visibilidade à aliança com Tarcísio. Mas a repetição de acusações sem provas expõe risco de desgaste — a CNBB, como autoridade religiosa, desmontou parte da narrativa e deixa o campo político com a necessidade de apresentar evidências ou assumir o custo de uma imputação não comprovada. O episódio destaca o uso instrumental de símbolos religiosos em campanha e acende alerta sobre os limites entre mobilização simbólica e responsabilização por afirmações públicas.