A postura contida de Flávio Bolsonaro ao falar do Supremo Tribunal Federal no debate da Band não foi casual. Nos bastidores da campanha, assessores e aliados identificam uma vulnerabilidade política — um limite prático que impede ofensivas diretas contra ministros do Judiciário. A opção por respostas superficiais reflete uma decisão calculada: evitar abrir uma frente que poderia gerar desgaste imediato e ameaçar a estabilidade eleitoral do palanque familiar.

O ponto sensível é a relação com Kassio Nunes Marques. Indicado por Jair Bolsonaro e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio mantém interlocução com setores do bolsonarismo, segundo relatos de interlocutores ouvidos pela reportagem. Para esses observadores, essa proximidade transforma qualquer ataque ao Supremo em um movimento de alto risco, capaz de provocar reações políticas e judicializadas que a campanha prefere não enfrentar às vésperas da disputa.

O episódio ganhou contornos ainda mais delicados após reportagens da revista Piauí que trouxeram alegações envolvendo o ministro. Integrantes do entorno do candidato avaliam que as reportagens ampliaram a sensibilidade sobre o tema e aumentaram a probabilidade de que uma ofensiva pública contra membros da Corte resulte em questionamentos sobre a própria relação de Flávio com integrantes do Judiciário. Essa avaliação explica a estratégia adotada no debate: responder, mas sem aprofundar ou fomentar novos focos de desgaste.

A escolha tem efeito político concreto. Contenção evita riscos de curto prazo, mas impõe limites à capacidade de Flávio de diferenciar seu discurso do de rivais mais confrontadores, e pode frustrar parcelas do eleitorado mais radicalizadas. Em termos táticos, a decisão expõe uma equação da campanha: priorizar estabilidade institucional e evitar litígios versus adotar tom combativo que energize a base. Essa contenção, portanto, não é neutra — indica vulnerabilidade e complica a narrativa do candidato sobre firmeza diante de instituições, ampliando dúvidas sobre até que ponto sua retórica pode ir sem provocar custo político ou jurídico.