O portal ICL Notícias publicou nesta quarta (15/7) uma fotografia de 2022 em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como operador do grupo ligado a Daniel Vorcaro. A divulgação veio acompanhada de verificações técnicas: cinco ferramentas automatizadas — Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer — não detectaram indícios de geração por inteligência artificial.

Além dos softwares, uma análise com a ferramenta especializada InVID e pareceres de peritos indicaram ausência de manipulação evidente. Os especialistas citaram consistência nas sombras e reflexos, incluindo o reflexo do braço de Mourão no tronco de Flávio, como elementos que reforçam a autenticidade do registro. Segundo o ICL, a foto teria sido feita em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Mourão, que se matou após prisão em março, era descrito pela Polícia Federal como um dos operadores centrais da milícia associada a Vorcaro, responsável por monitoramento e intimidação de adversários — inclusive com menções a planos que chegaram a cogitar ataques contra jornalistas. O vínculo técnico entre a imagem e a autenticidade agora estabelecida reduz a margem para reagir simplesmente alegando fraude digital.

A assessoria de Flávio reafirmou que o senador não conhece o homem na foto e argumentou ser impossível identificar todas as pessoas que pedem fotos nas ruas. A divergência entre a verificação técnica e a resposta do pré-candidato expõe uma zona de risco político: mesmo sem vínculo criminoso comprovado, a imagem cria elemento de desgaste e complica a narrativa de distanciamento. Em termos práticos, a cena tende a ampliar pressão sobre a campanha por esclarecimentos adicionais — como a origem precisa do registro, testemunhas e outras imagens — e oferece material para adversários explorarem repercussão e dúvida pública.

A confirmação técnica não transforma a foto em prova de conivência, mas reduz a capacidade de descartar a peça como montagem. Em uma corrida presidencial, episódios desse tipo acendem alerta sobre vetos de imagem e controle de danos: a resposta do pré-candidato precisará ir além da negação para conter o impacto político e a interpretação pública do encontro.