Relatórios do Tribunal Superior Eleitoral consultados até sábado mostram que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) já desembolsou R$ 70,29 milhões, contra R$ 65,6 milhões da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outras palavras: Flávio consumiu 52,69% do teto permitido para as duas etapas da disputa, enquanto Lula usou 49,21% — ritmo que ganha relevo a menos de duas semanas do segundo turno e que impõe escolha dura sobre onde aplicar recursos remanescentes.

A diferença mais saliente aparece nas mídias digitais. A campanha bolsonarista declarou R$ 21,57 milhões em dispêndios em redes, 5,5 vezes o total apontado pelos petistas (R$ 3,89 milhões). No detalhamento constam R$ 7,45 milhões pagos à Meta, cerca de R$ 3,7 milhões para implantação e operação do "TV Celular Flávio Bolsonaro", R$ 2 milhões em social listening e R$ 8,87 milhões em planejamento e produção de conteúdo digital. O foco no digital, diante de uma audiência massiva em redes (dados de 2026 indicam mais de 140 milhões de usuários no Instagram), amplia alcance rápido, mas também concentra risco: exaustão de orçamento antes do 2º turno, dependência de performance em plataformas e exposição a controles e moderação.

Do lado petista, os maiores desembolsos foram em consultoria de marketing e comunicação: R$ 32,52 milhões contra R$ 25,90 milhões do adversário. A estratégia declarada tende a priorizar eventos, presença física e coordenação de narrativa — com uso de vídeos informais e canais de apoiadores, como o WhatsApp do deputado André Janones, com 3,1 milhões de inscritos. Consultorias assumem papel central na definição de posicionamento e gestão de crise, e o maior peso dado a elas por Lula indica aposta em disciplina de mensagem e mobilização orgânica.

Politicamente, os números revelam prioridades distintas e geram consequências concretas. Para Flávio, a intensidade do investimento digital acelera alcance, mas acende alerta sobre flexibilidade financeira para a reta final; para Lula, maior gasto com consultorias pode sustentar coerência estratégica, porém reduz o volume destinado a impulsionamentos massivos. Em ambos os casos, o ritmo de gasto será arma e limite nas próximas semanas — e as prestações ao TSE mostram um retrato do momento, não uma previsão, mas já impõem decisões que podem influenciar a intensidade e o formato da campanha no 2º turno.