Em sabatina realizada nesta terça-feira (4/8), Flávio Bolsonaro (PL) disse que definirá o nome do vice até 15 de agosto, prazo final para registro junto ao TSE, e elogiou a economista Daniella Marques (Republicanos), que já atua na coordenação econômica de sua campanha. O candidato afirmou que “gostaria muito” de tê-la como companheira de chapa, sem formalizar qualquer indicação.

O cenário, porém, ganhou um novo contorno após o Republicanos anunciar neutralidade na disputa presidencial — mesma posição comunicada pela federação União Brasil-Progressistas e que o Podemos deve seguir. A retração das legendas tradicionais do Centrão acende alerta para a campanha de Flávio: sem alianças formais, a estratégia para garantir maior tempo de rádio e TV e capilaridade nacional fica comprometida e obriga negociação até o último minuto.

Na sabatina, o candidato minimizou a necessidade de apoios oficiais, dizendo que os “principais quadros” dessas siglas já estão alinhados com sua campanha e citou governadores e senadores como exemplos, além de afirmar ter 22 palanques fechados. A afirmação busca reduzir o custo político da neutralidade, mas não elimina o problema prático do tempo de mídia nem as eventuais resistências das lideranças partidárias.

Flávio também repetiu críticas ao Judiciário e ao Senado, defendendo impeachment de ministros do STF em casos de crimes de responsabilidade e apontando inércia do Senado diante de medidas que considera inconstitucionais. No plano econômico, manteve propostas como reduzir o número de ministérios para 27, baixar a alíquota do IOF aos patamares de 2022, zerar o imposto de exportação sobre petróleo e revisar o imposto seletivo sobre microprocessados. A neutralidade do Centrão amplia a pressão para que a campanha converta elogios e apoios informais em acordos concretos antes do fechamento das candidaturas.