O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recorreu às redes sociais para ironizar a expectativa em torno de um suposto “vídeo revelador” e, ao mesmo tempo, reafirmar sua pré-candidatura ao Planalto. Na postagem, o parlamentar anunciou a publicação do material que, segundo a legenda, seria o tal conteúdo aguardado — e orientou que os seguidores assistissem até o fim.

Contrariando a expectativa criada, o vídeo não traz imagens comprometedoras. Em vez disso, apresenta uma narrativa sobre a trajetória pessoal e profissional do senador e destaca o “preço” da vida pública: a peça menciona que Flávio recebeu, até agora, mais de 868 ameaças de morte e cita episódios de atentados e assassinatos contra lideranças internacionais como ilustração do risco ao qual políticos podem estar expostos.

A publicação vem dias após o deputado Kim Kataguiri dizer, em entrevista, que existe um suposto vídeo em que Flávio teria traído a esposa em uma festa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, na presença de uma “autoridade da República”. A resposta do senador tem tom de desafio: ele rejeita a tentativa de desestabilizá‑lo e promete não recuar na disputa presidencial.

Politicamente, a movimentação busca neutralizar o potencial dano e deslocar o foco para a narrativa de perseguição. Mas a ofensiva também expõe um problema concreto: mesmo sem provas públicas de material comprometedora, a menção de situações íntimas injeta ruído na campanha e obriga respostas públicas, consumindo tempo de agenda e podendo complicar a narrativa oficial. Para a oposição, a história alimenta o debate sobre transparência; para aliados, é sinal de que a pré-campanha terá de gerir imagem e fragilidades pessoais em alto volume midiático.