O PL oficializa neste sábado a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em um ato que busca dar corpo a uma pré-campanha marcada por desgaste e muitas incertezas. A cerimônia, que terá a participação de aliados e de convidados internacionais, chega num momento em que também é preciso conter fissuras internas e recuperar terreno junto a setores-chave do eleitorado.

A reaproximação pública com Michelle Bolsonaro — selada por trocas de vídeos e likes nas redes — foi capitalizada para reduzir o impacto do embate aberto entre ambos nas últimas semanas. Mesmo assim, Michelle não comparecerá ao evento, justificando a ausência pela necessidade de cuidar do ex-presidente em prisão domiciliar humanitária; um vídeo dela deve ser exibido no local. Ausências de outras lideranças, como a senadora Damares Alves e a governadora Celina Leão, reforçam a ideia de adesão incompleta ao projeto do candidato.

A pré-campanha convive com episódios recentes que ampliam o desgaste: revelações sobre a relação com Daniel Vorcaro, investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse e a divulgação de imagem ao lado de personagens ligados ao banqueiro. Além disso, declarações recentes de Flávio questionando a segurança das urnas eletrônicas, em encontro com embaixadores, complicam a narrativa oficial e podem provocar tensão diplomática e institucional, sem gerar ganhos eleitorais claros.

No plano eleitoral, a carência de apoios firmes do Centrão e a decisão de legendas como União-Progressista e Republicanos de manter neutralidade em estados estratégicos deixam a campanha sem a capilaridade esperada. A definição do vice segue em aberto; o recuo de nomes como Tereza Cristina e a resistência interna a possíveis alternativas, como Daniella Marques, apontam para dificuldade em montar uma chapa que reduza a rejeição feminina e amplie palanque. O cenário exibe, portanto, mais perguntas do que respostas para 2026: a convenção formaliza um projeto, mas também acende alerta sobre sua capacidade de viabilização.